
iterações para a cura
iteração:
repetição sistemática de ações ou operações para alcançar em que cada nova etapa incorpora o resultado da anterior
É comum pensar o tempo como uma linha reta, que interliga passado, presente e futuro. Mas há diversas filosofias e cosmologias que enxergam o tempo mais com uma forma espiralar. O dia nasce e a noite cai; e amanhã, novamente. Desejamos o arrepio do inverno ao sentir o suor na testa durante o verão, pois sabemos que ele virá, cedo ou tarde.
Mas nada que se repete é o mesmo.
A cada ponto que passamos dentro deste percurso que de alguma forma "retorna a algum lugar", estamos - apesar de tudo - sempre deslocados. A sensação é de que já vivemos aquilo, mas nunca é idêntico. O retorno é transformado, a ponto que carrega cada novo passo que demos desde que estivemos por ali.
Meu processo em arte se inicia, então, a partir desse gesto singular: o desenho de uma única espiral.
Contudo, são raros os casos em que esse gesto não se repete continuamente, um atrás do outro. É como uma espécie de mantra - uma meditação - a partir do qual o que se alcança é uma depuração da atenção, um meio de se alcançar uma percepção mais refinada da realidade. Nesse caso, é também um meio de pousar no papel o próprio tempo.
Nenhuma ação é idêntica: a tinta, o papel, a atmosfera, até o próprio corpo se transforma a cada instante, resultando nessa massa que toma conta de onde passa. Não há linearidade, não há projeto ou planejamento da forma final. O fim se apresenta por si mesmo, pois, sim, há sempre um fim. Mas esse - assim como todos os fins - é apenas mais uma etapa do todo.
Cada fim contém em si as condições próprias para um novo começo.
clique nas imagens para ver outras imagens















